terça-feira, 27 de janeiro de 2009

 Certas cidades não conseguem se livrar da reputação injusta que,
por alguma razão, possuem.
Algumas das pessoas mais sensíveis e menos

grossas que eu conheço vem de Bagé, assim como algumas das menos
afetadas são de Pelotas. Mas não adianta. Estas histórias do
psicanalista de Bagé são provavelmente apócrifas (como diria o
próprio
analista de Bagé,
história apócrifa é mentira bem educada) mas,

pensando bem, ele não poderia vir de outro lugar.
Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé
é forrado
com um pelego. Ele recebe os pacientes
de bombacha e pé no chão.

- Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.
- O senhor quer que eu deite logo no divã?
- Bom, se o amigo quiser dançar uma marca,
antes, esteja a gosto.

Mas eu prefiro ver o vivente estendido e
charlando que nem china da

fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.
- Certo, certo. Eu...
- Aceita um mate?
- Um quê? Ah, não. Obrigado.
- Pos desembucha.
- Antes, eu queria saber. O senhor é freudiano?
- Sou e sustento. Mais ortodoxo que reclame de xarope.
- Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe.
- Outro...
- Outro?
- Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.
- E o senhor acha...
- Eu acho uma pôca vergonha.
- Mas...
- Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

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